Após o tetra no Brasil, seleção alemã mantém tradição da ‘ressaca’ entre as campeãs

Há pouco mais de três meses, a seleção comandada por Joachim Löw entrou para a história do futebol ao conquistar o tetracampeonato da Alemanha, ao bater a Argentina no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, na final da Copa do Mundo. Hoje, porém, a equipe que conquistou a Taça Fifa luta para provar que o triunfo em terras brasileiras não foi apenas uma ilusão.

Desde o tetra, a Alemanha entrou em campo quatro vezes e só saiu vitoriosa em uma oportunidade. Os tedescos caíram diante da Argentina, em casa, no jogo em comemoração ao título, e também perdeu para a Polônia, pelas eliminatórias da Eurocopa. O único triunfo foi diante da Escócia, também pela fase classificatória do torneio continental, além do empate diante da Irlanda, na última semana, pelo mesmo classificatório.

Os resultados negativos fizeram com que muitos colocassem em xeque o real potencial dos alemães, algo que mereceu um posicionamento rápido de Löw. Após o revés para os poloneses, o primeiro na história da ‘Mannschaft’ para a rival histórica, o técnico garantiu que o clima no elenco é bom e minimizou o resultado, diferentemente do que fez após o empate com a Irlanda: “É claro que estamos desiludidos”, garantiu o treinador.

Fora da curva

Para o jornalista Rodrigo Bueno, do canal Fox Sports, os resultados refletem um relaxamento natural após a conquista e a pouca importância de seus jogos.

“As eliminatórias da Euro perderam muito a importância após as últimas modificações. Agora, é quase impossível um grande ficar de fora, diminuiu a competitividade e isso se reflete na atuação da Alemanha, que mesmo em terceiro pode chegar ao torneio. Além do mais, há um relaxamento natural após o título”, avalia Bueno.

Apesar disso, o jornalista acha que foi construída uma imagem da seleção alemã que não corresponde à realidade. Para ele, exceto pelos 7 a 1 diante do Brasil, a equipe não foi espetacular no Mundial e teve muita dificuldade para chegar ao tetracampeonato. “Falam que na Copa do Mundo o campeão é aquele time que teve um mês fantástico no período do Mundial, mas isso sequer aconteceu para a Alemanha. A goleada na semifinal foi um ponto fora da curva para um time que penou diante da Argélia, empatou com Gana e quase viu o título escapar contra a Argentina. Acho, inclusive, que o 7 a 1 será algo negativo para os alemães, que, após conseguir escapar da sina de sempre jogar bem e nunca ser campeões, agora carregarão o peso de ter que sempre ter atuações como a do Mineirão, algo que foi surreal”, aponta o jornalista.

Natural

Esta má fase pós-Mundial não é exclusividade dos tedescos. Apesar do seu desempenho pós-Copa ser o segundo pior da história, ele não é tão difícil de acontecer. Resgatando o passado recente, a Itália, vencedora do torneio em 2006, e Brasil, pentacampeão em 2002, tiveram resultados semelhantes nos quatro jogos subsequentes ao Mundial (arte ao lado). Além disso, jamais um campeão conseguiu vencer as quatro partidas posteriores ao torneio. “A Copa do Mundo significa uma mudança de página para quem vence ou perde. Ao término dela, jogadores se aposentam e técnicos são trocados. Há muitas mudanças e derrotas são aceitáveis”, conclui Bueno.

Com quatro vitórias, Dunga iguala marca de Parreira

Foram quatro vitórias seguidas desde o início da segunda “era Dunga”, o melhor começo de trabalho desde que Carlos Alberto Parreira assumiu a Seleção Brasileira, ainda em 1991. Como daquela vez, a atual sequência positiva é resposta a uma participação desastrosa na Copa do Mundo, podendo ser o recomeço necessário para, quem sabe, outro título mundial.

A questionada Seleção de Sebastião Lazaroni não passou das oitavas de final na Copa de 1990, tendo a derrota por 1 a 0 para a Argentina como o ápice do descontentamento com o pragmatismo daquela equipe. A eliminação resultou em reformulação, e o escrete canarinho passou pelas mãos de Paulo Roberto Falcão e Ernesto Paulo antes de ser comandado, enfim, por Parreira.

O técnico assumiu talvez na maior crise do Brasil até então. Sem ganhar um Mundial há duas décadas e com futebol burocrático que não empolgava ninguém. Mas Parreira deu início à sua segunda passagem com vitória sobre o respeitável selecionado da Iugoslávia.

Logo o grupo formado majoritariamente por “desconhecidos” ganharia corpo para retomar o topo do mundo em 1994. As vitórias sobre Tchecoslováquia, Estados Unidos e Finlândia deram certa tranquilidade para fincar os pilares de seu trabalho.

Nos trilhos

Titular de Parreira a partir de 1993, Dunga assume missão de reconstruir a Seleção. Com a maior pressão da história do selecionado nos ombros, o técnico parece ter revisto seu pragmatismo para triunfar sobre Colômbia, Equador, Argentina e Japão.

A goleada por 4 a 0 sobre o Japão, na última terça-feira, renova as esperanças de quem ainda sonha em ver um Brasil criativo e habilidoso (das agências).

Eduardo Buchholz
Repórter

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Diário do Nordeste – Jogada – 19/10/2014

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