Max Nunes desencarnou

Morre parceiro de Jô Soares, o humorista Max Nunes, aos 92 anos

Morreu na madrugada desta quarta-feira (11), aos 92 anos, o humorista, roteirista e diretor Max Nunes.

Ele estava internado desde 20 de maio no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, após sofrer uma queda. O velório será nesta quinta (12), de 8h às 12h, na Capela 1 do cemitério São João Batista, em Botafogo. O enterro está marcado para acontecer logo em seguida.

Max Nunes escolheu duas profissões antagônicas: médico, para salvar vidas, e humorista, para matar de rir. Nunes fez uma trajetória de sucesso que começou no rádio e passou pelo teatro até chegar à televisão. Trabalhou na Globo por 38 anos, e, ao lado do apresentador Jô Soares, produziu textos para o “Programa do Jô” desde 2000. “É uma perda de um grande amigo e de um grande talento. O Max esteve entre os maiores humoristas, no nível do Millôr Fernandes e do Chico Anysio. Tirando isso, é difícil comentar, pois éramos muito próximos”, lamentou o apresentador, através de comunicado enviado pela Central Globo de Comunicação.

Max Newton Figueiredo Pereira Nunes nasceu em 17 de abril de 1922, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Herdou a veia artística do pai, Lauro Nunes, jornalista e roteirista de esquetes para a Rádio Mayrink Veiga, que ficou conhecido no início do século XX como o humorista Terra de Sena. Em 1948 se formou em Medicina e se especializou em Cardiologia, chegando a exercer a profissão até a década de 1980 e a dirigir a seção de Ipanema do Instituto Brasileiro de Cardiologia. Contudo, nunca deixou de lado a carreira artística. Vizinho de Noel Rosa, Max foi incentivado a cantar e chegou a participar de programas de rádio. Aos 48 anos, compôs, ao lado de Laércio Alves, “Bandeira Branca”, gravada por Dalva de Oliveira nos anos 70.

Passou pelas rádios Tupi e Rádio Nacional, quando escreveu o programa “Balança, mas Não Cai”, humorístico que marcou a história do gênero e ganhou versões para o cinema, teatro de revista e a televisão. No teatro, sua participação foi consequência do trabalho na Rádio Nacional. Sem jamais largar o rádio, criou em meados de 1950 peças como “Nonô Vai na Raça” e “Aperta o Cinto”. Em toda sua carreira, escreveu 36 peças. Produziu pela primeira vez para a televisão em 1962, quando criou os programas “My Fair Show” e “Times Square” na TV Excelsior.

Estreou na Globo em 1964, onde construiu um carreira marcante. Ao lado de Haroldo Barbosa, passou a roteirizar e dirigir o humorístico “Bairro Feliz” (1965), pelo qual passaram Paulo Monte, Grande Otelo e Berta Loran. Em 1972, Max Nunes integrou a equipe de redação do “Faça Humor, Não Faça Guerra”, ao lado de Jô Soares. O humorístico, inicialmente transmitido ao vivo, foi um dos primeiros a utilizar o videoteipe (VT) – introduzido no Brasil em 1957 – e revolucionou o gênero na televisão, criando um humor mais moderno característico de programas como “Satiricom” (1973), “Planeta dos Homens” (1976) e “Viva o Gordo” (1981), todos com a colaboração de Nunes. No mesmo período, participou de “Uau, a Companhia” (1972) e “A Grande Família” (1972). Já na década de 1980 escreveu, ao lado de Afonso Brandão, Hilton Marques e José Mauro, o primeiro programa comandado exclusivamente por Jô Soares: “Viva o Gordo” (1981), sob a direção de Cecil Thiré.

Em 1988 seguiu Jô Soares para o SBT, onde lançou “Veja o Gordo” e “Jô Soares Onze e Meia”. Em 2000, ambos voltaram à Globo para estrear o “Programa do Jô”, com quem trabalhou lado a lado até seus últimos dias.

 

NaTelinha

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