Renato Maurício Prado volta a comenta Brasil 4 x 0 Panamá

O terceiro gol valeu o amistoso. O toque genial de Neymar, de calcanhar, e a conclusão de primeira de Hulk, com o lado externo do pé esquerdo, batendo “de três dedos”, como costumam dizer os jogadores, foi uma pintura. Um lance digno da nossa história. Típico do futebol arte que, infelizmente, anda sumido dos campos tupiniquins. Neymar e Hulk foram, aliás, os dois melhores jogadores em campo.

Dos pés do novo craque do Barcelona saíram, como de hábito, praticamente todas as jogadas efetivas do ataque do Brasil. Marcou o primeiro gol numa bela cobrança de falta e participou, com passes perfeitos, de dois outros (o de Hulk e o de William). Só não esteve presente no gol de Daniel Alves (uma bomba da entrada da área).

Se por um lado foi animador constatar que nosso melhor jogador está em grande forma técnica, apesar do tempo que foi obrigado a ficar parado, por causa de uma contusão, por outro reforçou-se a impressão (quase certeza) de que do seu desempenho dependerá a sorte da seleção brasileira nessa segunda Copa no país.

Que Neymar seja capaz de repetir, diante dos adversários mais fortes que enfrentaremos no Mundial, o farto arsenal de dribles, lençóis, bicicletas, cobranças de faltas, chutes, passes milimétricos etc exibido contra o frágil Panamá, em Goiânia.

A cada treino e a cada jogo, amistoso ou não, fica ainda mais claro que o Brasil de hoje em dia é Neymar e mais dez. E pra nossa sorte, ele joga muito!
Repeteco

Terminada a partida, jogadores e membros da comissão técnica do Panamá cercaram Neymar para tirar fotos com ele. A cena me lembrou uma outra, bem semelhante, que vi nas Olimpíadas de Atenas, quando os jogadores da seleção de vôlei do Japão fizeram o mesmo com Giba. Tomara que o resultado final da Copa seja o mesmo daqueles Jogos Olímpicos, quando o time de Bernardinho conquistou o ouro.

Apagados

Se Neymar e Hulk foram muito bem, Oscar e Fred jogaram muito mal. O meia armador praticamente não apreceu no amistoso e o centroavante, igualmente sumido, ainda desperdiçou uma ótima chance, cabeceando pessimamente uma bola cruzada na medida por Neymar. Como ambos têm bastante crédito, conquistado na Copa das Confederações, devem continuar no time titular, pelo menos até a estreia, contra a Croácia. Mas William, que entrou muito bem no amistoso, está pedindo passagem…

Espalmando o frango

E o Júlio César, hein? O que ia se tornando um frango, acabou virando uma grande defesa. Numa cabeçada relativamente fraca, o goleiro escorregou mas ainda assim conseguiu se recuperar a tempo de espalmar a córner, demonstrando uma agilidade impressionante e elogiável.

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 04.06.2014

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