Renato Maurício Prado comenta que treinadores caros só dão prejuízo

 

A temporada de 2013 no Brasil abalou profundamente o mito dos “supertécnicos”, aqueles “professores” que exigem autênticas fortunas para treinar qualquer clube, sob a justificativa de que são infinitamente superiores à média e, portanto, sabem tudo e podem tudo no futebol. Nenhum deles valeu o altíssimo investimento — muito pelo contrário…

Vanderlei Luxemburgo, que ainda há quem considere o melhor técnico do Brasil, apesar dos seguidos fracassos nos últimos oito anos, deu-se ao luxo de ser demitido duas vezes: do Grêmio (eliminado precocemente na Libertadores) e do Flu (que deixou à beira do rebaixamento).

 

Mano Menezes saiu de apenas um clube (o Flamengo), mas o destino o brindou com requintes de crueldade: ato contínuo ao seu inesperado pedido de demissão, em pleno vestiário, após sofrer uma goleada e sem falar com um dirigente sequer, o time rubro-negro se uniu em torno de seu substituto (o humilde auxiliar técnico Jayme de Almeida) e o resultado foi o que se viu: reação imediata no Brasileiro e título da Copa do Brasil. Que contraste!
Paulo Autuori foi outro que amargou dois fracassos num mesmo ano. No Vasco, onde chegou anunciando que estava ganhando bem menos do que normalmente cobrava e saiu, por vontade própria, após uma série de maus resultados, e no São Paulo, onde, com certeza, teve um de seus piores momentos da carreira. Um desastre completo.

 

Já Abel Braga, após o título brasileiro do ano passado, perdeu a mão no Flu e acabou eliminado cedo da Libertadores, derrotado, sem direito de ir às finais, no Estadual, e demitido no Brasileirão, depois de cinco derrotas consecutivas.

 

Nem o campeão do mundo, Tite, escapou à sanha do insucesso galopante dos chamados treinadores de ponta no Brasil, em 2013. Após três temporadas espetaculares, não foi capaz de manter o rendimento de seu time, apesar do elenco milionário e estelar que passou a ter em mãos — perdeu Paulinho, é fato, mas ganhou Pato e Renato Augusto e nenhum dos dois vingou sob o seu comando.

 

Na verdade, nem Muricy Ramalho escapa dessa lista de fracassos. Depois de ser demitido do Santos, conseguiu uma sequência de bons resultados que livraram o São Paulo do rebaixamento, mas na hora de coroar sua volta ao Morumbi com o caneco da Sul-Americana, que levaria o tricolor à Libertadores e salvaria o ano, acabou eliminado pela Ponte Preta, que está caindo para a segunda divisão…

 

Entre os medalhões, a rigor, salvou-se apenas Luiz Felipe Scolari, com a seleção brasileira. Mas, não custa lembrar que, no ano passado, ele foi um dos responsáveis pelo rebaixamento do Palmeiras.

 

O resumo da ópera é o seguinte: no Brasil é razoável pagar salários entre R$ 400 mil e R$ 1milhão a qualquer treinador? Decididamente, não. Compreende-se até que aqueles que conquistem grandes títulos ou metas ousadas sejam recompensados adequadamente. Mas daí a garantir fortunas mensais, independentemente dos resultados, como acontece hoje, vai uma distância colossal.

 

Obrou bem o Palmeiras ao acertar um contrato de produtividade com Gilson Kleina. O mesmo fará o Flamengo, se seguir tal receita com Jayme de Almeida. E que todos os outros clubes brasileiros reflitam bem sobre o assunto.

 

Tem cabimento gastar rios de dinheiro com quem não entra em campo, não faz, nem impede gols e, ganhando ou perdendo, embolsa uma belíssima grana? Isso sem falar nas estratosféricas multas rescisórias que normalmente exigem, quando são demitidos por não realizarem as “mágicas” esperadas quando de suas contratações…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO-02/12/2013

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.