As razões para Fernando Santos acreditar

 

Apaixonada, aguerrida e contraditória. Assim é a Grécia de Fernando Santos, que se prepara para enfrentar os seus 180 minutos mais importantes dos últimos tempos: aqueles que poderão concretizar, diante da Romênia, a primeira classificação do país a uma segunda Copa do Mundo da FIFA consecutiva.

Rotulados como defensivos desde o surpreendente sucesso na Eurocopa 2004, os gregos chegaram à repescagem com 25 pontos no Grupo G das eliminatórias do Velho Continente. A campanha foi a quinta melhor do classificatório europeu, atrás das de Alemanha e Holanda (ambas com 28), Bélgica (26) e Bósnia e Herzegovina, mas esta última acabou em primeiro na chave pelo saldo de gols.

Então, de onde nasce esse preconceito conforme o qual a Grécia se preocupa mais com a própria meta do que com a alheia? O próprio Fernando explica ao FIFA.com. “A equipe conseguiu uma vitória histórica na Euro 2004 ao priorizar os aspectos defensivos”, conta o técnico português, que completou 41 jogos à frente do plantel. “Assim, forjou uma identidade que não é fácil modificar. Apesar de tentarmos ser um time diferente, com uma maior capacidade de pressão e um pouco mais de agressividade, só conseguimos mudar em alguns momentos. Depois voltamos à nossa zona de confiança, que é a linha defensiva. Isso tem as suas vantagens, porque tomamos poucos gols, mas também nos complica na hora de fazer a diferença no ataque.”

E os números parecem lhe dar razão. A Grécia só levou quatro gols na campanha — teve a segunda melhor defesa, atrás da Espanha, com três. Porém, só balançou as redes em 12 oportunidades. Sem dúvidas, um ponto a ser levado em conta pelos romenos diante de uma repescagem acirrada e apaixonante.

Crise e futebol, lado a lado?
Os gregos, que só contam com duas participações (1994 e 2010), sonham com uma nova Copa do Mundo da FIFA uma década depois do feito mais importante da sua história: a conquista da Euro 2004, em Portugal. “Lembro-me bem daquele torneio por ter sido disputado no meu país”, afirma Fernando. “Aliás, conhecia muitos jogadores gregos que visitei no hotel em diversas oportunidades. Um dos grandes problemas dos adversários, naquela época, é que não acreditavam que a Gréciapoderia lhes criar dificuldades. Mas as equipes já não a veem como naquele tempo, elas conhecem as nossas características e não se surpreendem.”

O ex-treinador de clubes como AEK e Panathinaikos acredita que há uma força especial que fará a sua equipe se classificar. “O povo grego se caracteriza por ser muito apaixonado, orgulhoso do seu país. E esses jogadores demonstram isso, mesmo jogando uma partida de futebol. Essa é a nossa principal força: jogamos com paixão e nos doamos cem por cento em cada partida. Temos de nos inspirar na conquista de 2004.”

Quando se trata de povo, é impossível deixar de lado a atual crise que o país atravessa. Ela pode se transformar em um fator de pressão extra para os jogadores? “Não acho que seja uma pressão, mas uma motivação”, define Fernando. “Estamos falando de um país com 30 por cento de desemprego, e por isso muita gente ao nosso redor está em situação difícil, e todos temos amigos ou familiares atravessando dificuldades”, detalha. “Ninguém seria humano se não se sentisse tocado por algo assim, mas depende de nós conseguir a classificação para o Mundial do Brasil e diminuir, pelo menos um pouco, a tristeza do nosso povo.”

O português, que se denomina grego quando está na Grécia (“não falo para agradar, algo no meu coração se transforma em grego quando estou lá”), faz questão de qualificar a Romênia como “um rival competitivo que recuperou o bom futebol que soube exibir no passado”, espera “um confronto aberto e com oportunidades iguais para os dois”, mas tem consciência de que precisará da união de todo o país para conquistar a classificação ao Brasil 2014. “A primeira partida em casa será fundamental. Peço a todos que acreditem nesses jogadores, que acreditem nessa equipe e que acreditem em nós. Esperamos que lotem o estádio e pressionem conosco. Podemos nos classificar, e faremos de tudo para conseguir.”

 

FIFA.com

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