Análise: rara bola parada decide duelo de um lado só no Serra Dourada

Semifinal da Copa do Brasil tem embate entre o forte lado direito do Goiás e o consistente setor esquerdo do Flamengo

 

No equilibrado duelo entre o lado esquerdo do Flamengo e o setor direito do Goiás, o capricho de Chicão na bola parada – favorecido pelo escorregão de Renan – decidiu o jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil. O zagueiro teve competência para aproveitar a única falta frontal a favor do Rubro-Negro em todo o jogo e decretar a vitória por 2 a 1 no Serra Dourada.

Foi no primeiro tempo da partida que todos os gols saíram e tudo se desenhou, quando sobrou fôlego para os jogadores. Na segunda etapa o desgaste ficou evidente, o campo pesado influenciou, e o Goiás, embora com maior posse de bola, não teve criatividade para superar a bem postada defesa carioca.

Paulinho e André Santos x Vitor e Roni

Se dizem que em time que está ganhando não se mexe, em esquema vitorioso, idem. Foi seguindo essa linha de raciocínio que Jayme de Almeida mandou a campo o Flamengo, de forma muito parecida à apresentada na goleada por 4 a 0 diante do Botafogo. A novidade foi Elias mais recuado, um pouco à frente de Amaral e fazendo a cobertura do lado esquerdo, com Luiz Antonio tendo liberdade pela direita.

Mas novamente a aposta do treinador foi em um lado esquerdo forte, mantendo Paulinho bem aberto. O atacante foi a válvula de escape do Flamengo, tendo a ingrata missão de também bloquear os avanços de Vitor, uma das principais armas ofensivas esmeraldinas. (Veja no vídeo acima o duelo por aquele lado do campo)

Foi por ali que o Flamengo atuou todo o primeiro tempo, praticamente sem inverter a bola para o setor direito, onde Léo Moura e Luiz Antonio até tinham liberdade. Dali nasceu o belo gol de Paulinho, em sua única finalização na partida, e deu a impressão de que o Goiás sucumbiria tal qual o Botafogo nas quartas de final.

ANÁLISE TÁTICA GOIÁS COPA DO BRASIL (Foto: TV GLOBO)A primeira imagem mostra como o Goiás iniciou o jogo, com Roni aberto pela esquerda. Ainda no primeiro tempo o atacante passa a atuar bem aberto pela direita e Sasha fica do outro lado (Foto: TV GLOBO)

Porém, o técnico Enderson Moreira equilibrou o jogo em uma simples troca de posição. O meia Sasha, que começou atuando aberto pela direita, foi para a esquerda. No seu lugar de origem entrou Roni, mais incisivo no ataque e veloz. O Goiás começou a envolver o Flamengo, que se viu surpreendido. E chegou ao empate com Vitor, que penetrou livre em uma das raras vezes em que não foi acompanhado por Paulinho.

Os meias Carlos Eduardo e Hugo, que poderiam distribuir melhor as jogadas para os dois lados, estiveram em uma jornada infeliz. O rubro-negro, lento, não conseguiu armar a equipe. Já o camisa 10 esmeraldino sofreu com a marcação individual de Amaral. Irritou-se, chegou a recuar para buscar jogo, perdeu chance clara e foi substituído na segunda etapa. (Veja o vídeo ao lado com a perseguição de Amaral a Hugo)

A inoperância dos dois meias contribuiu para que os centroavantes Júnior Viçosa e Hernane praticamente não pegassem na bola na partida. O primeiro deu apenas um chute a gol em todo o jogo, e o segundo terminou a partida sem uma sequer finalização. Mas eles deram a sua contribuição: Viçosa deu a assistência a Vitor, e Hernane sofreu a falta – sua única na partida – que resultou no gol de Chicão, no fim da primeira etapa, e deu a importante vantagem ao Flamengo. O Goiás fez somente oito faltas em todo o confronto, contra 16 do time carioca.

Goiás no abafa, e Fla não aproveita liberdade

A segunda etapa não trouxe muita mudança no desenho tático das equipes. O que faltou foi fôlego. O duelo entre o lado esquerdo do Fla e o direito do Goiás arrefeceu. Apesar do amplo domínio, com 57% da posse de bola, os mandantes não conseguiam incomodar a meta de Paulo Victor, que fez somente uma defesa difícil durante os 90 minutos.

Passaram, então, a apelar para as bolas levantadas na área. Foram 28 em todo o jogo, mas apenas uma cabeçada desferida. Foi nessa base do abafa que o time até teve duas boas chances, com Welinton Junior, que substituiu Sasha e jogou enfiado entre os zagueiros, mas em ambas o atacante mandou para fora.

O Flamengo teve enorme espaço para contra-atacar, mas não caprichou. Ora Carlos Eduardo retardou a jogada, ora Léo Moura e Luiz Antonio, sempre com muita liberdade, vacilaram, e em outras até Hernane se atrapalhou, o que impediu que o time ameaçasse a meta de Renan e deixasse o Serra Dourada com uma vantagem ainda maior. Paulinho, em um último pique, sentiu a coxa e ainda foi substituído.

 

Análises rápidas

* O Goiás sentiu bastante a ausência de Walter. Sem sua referência, o ataque não se fez presente dentro da grande área. Júnior Viçosa foi facilmente anulado. Apenas Welinton Junior, quando entrou no decorrer da segunda etapa, ofereceu um pouco de trabalho aos zagueiros do Fla.

*Jayme deixou Carlos Eduardo um pouco mais centralizado em boa parte do jogo. O meia até participou mais do que o costume, pegando bastante na bola (errou apenas um dos 32 passes tentados), mas mesmo assim esteve lento e dispersivo em muitos momentos.

* É difícil explicar a substituição de Roni no começo do segundo tempo. O atacante esmeraldino era o jogador mais perigoso do time e o único que conseguia levar algum tipo de vantagem no mano a mano. Sua saida deixou mais previsível o Goiás.

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