Ritmo lento talvez tenha prejudicado “Flor do Caribe” na audiência

Nilson Xavier

13/09/2013 19:03

Sérgio Mamberti como Dionísio no último capítulo de “Flor do Caribe” (Foto: Divulgação/TV Globo)

Inquestionável a qualidade das imagens de “Flor do Caribe”, a novela das seis da Globo que terminou nesta sexta-feira, 13/09. Sob a batuta de Jayme Monjardim – reconhecido pelo apuro estético em seus trabalhos na TV -, a novela brindou o telespectador com belas imagens do Rio Grande do Norte, onde se passava a história.

O autor, Walther Negrão, bastante experiente, conhece bem seu público das seis horas. Ligou chaves que já havia acionado em novelas anteriores e que sabia que funcionariam. O vilão enlouquecido pela amada, capaz das maiores artimanhas para roubá-la de seu rival, é recorrente na obra do novelista. A trama começou com uma história de vingança que sugeria “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas. Mas nas mãos de Negrão e sua equipe de roteiristas, a história tomou rumo próprio. O charme da aviação remeteu ao filme “Top Gun” – o que também ficou apenas na sugestão.

A alusão ao nazismo confundiu por conta da idade do personagem Dionísio Albuquerque (Sérgio Mambertiirrepreensível no personagem). Ele era o carrasco nazista responsável pela desgraça da família do judeu Samuel Schneider (Juca de Oliveira), uma criança na época da Segunda Guerra. O problema é que Sérgio Mamberti, em cena, parecia mais novo que Juca. Este pormenor chamou a atenção e poderia ter sido evitado. De qualquer maneira, vale a abordagem ao nazismo, raramente vista em nossa Teledramaturgia – cito  a minissérie “Aquarela do Brasil” (2000), de Lauro César Muniz, dirigida pelo próprio Monjardim.

O ritmo sem pressa de “Flor do Caribe” talvez a tenha prejudicado: a novela fechou com uma média final de 21 pontos no Ibope da Grande São Paulo, abaixo do esperado pela emissora. Apesar de Negrão ter recorrido a explosões de minas e a algumas perseguições cinematográficas – no céu e na terra -, no geral, o autor cozinhou a história de “Flor do Caribe” em fogo brando ao longo de seus seis meses de exibição. Bom por não ter tido atropelos. Mas, por outro lado, cobrava-se um pouco mais de dinamismo no desenrolar das tramas. Na última semana da novela, a história de “Flor do Caribe” já tinha praticamente se esgotado na terça-feira, com a prisão do nazista Dionísio.

Além da direção de imagens, Jayme Monjardim também preza pela direção de atores. Não faltaram momentos emocionantes, com muito choro, envolvendo os personagens de Laura Cardoso (Dona Veridiana), Juca de Oliveira (Samuel), Elias Gleizer (Manolo), Grazi Massafera (Ester), Aílton Graça (Quirino), José Loreto(Candinho), Bete Mendes (Olívia), e outros. Mas as cenas de maior impacto emocional ficaram por conta de duas duplas: Luiz Carlos Vasconcelos e Cyria Coentro (ótimos como o casal Donato e Bibiana), e Cláudia Netto e Igor Rickli(Guiomar e Alberto, mãe e filho).

Igor Rickli, aliás, merece todos os elogios e já pode ser considerado uma revelação na TV em 2013. Ao longo da novela, vimos o ator crescer com seu personagem. Da metade em diante, Alberto já monopolizava toda a ação. Sorte do ator, em ganhar um personagem tão rico (mais do que o casal protagonista, Cassiano/Henri Castelli e Ester/Grazi Massafera, diga-se de passagem). E mérito dele em conseguir levar o personagem de forma tão intensa e verdadeira. Algumas das cenas divididas com Cláudia Netto foram as mais bonitas da novela. Cláudia, outra atriz revelada em “Flor do Caribe” (apesar de já ter atuado em outras novelas anteriormente), soube responder à altura. Ambos merecem mais papeis de destaque.

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