O Observador: As Olimpíadas de 2012 e o que a Record não aprendeu com elas

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Quem acompanhou as Olimpíadas de Londres pela TV Record no ano passado percebeu que a emissora tem uma equipe de jornalismo esportivo de ponta, experiente, conhecida e, sobretudo, competente.

A rede trabalhou por anos para ter bons jornalistas que levassem a melhor cobertura das Olimpíadas para o brasileiro. Mas o evento acabou e a grande dúvida é o que restou das Olimpíadas na Record.

Qual foi o legado? Comparar as Olimpíadas na Record com a Copa do Mundo na África do Sul me parece bastante apropriado. A estrutura que a emissora criou para transmitir o evento está lá, mofando, à espera de ser utilizada novamente, bem como os estádios que serviram para a Copa no país africano – estão sem grande utilidade, gerando custos sem retorno -. E aí, claro, vem a dúvida: vale mesmo a pena investir “antes” e “durante”, mas abandonar o “depois”?

É claro que não. Durante as Olimpíadas, a Record alcançou bons índices de audiência, chegando à liderança absoluta no Ibope em diversas oportunidades, com provas de natação, vôlei e futebol (inclusive o feminino), só para citar os mais populares. Então por que não continuar investindo nesses esportes? Por que não entrar na briga pra transmitir campeonatos nacionais e mundiais de vôlei, basquete e natação, por exemplo? Perguntas que ficam sem respostas.

A emissora teve a prova de que o público gosta de acompanhar esporte, principalmente quando o Brasil está competindo – e não necessariamente por entre esses esportes precisa haver futebol -. Isso, porém, não foi suficiente pra fazer o canal aprender.

Equipe competente, que não deve nada a nenhum outro canal no Brasil, a Record tem; estrutura de causar inveja a Record tem; e grande alcance de público também. Sem projeto futuro, os profissionais contratados para as Olimpíadas de 2012 estão começando a sair da emissora, tornando assim inviável competir de igual pra igual com Band e Globo na transmissão dos Jogos de 2016, que será no Brasil.

Resultados futuros são frutos do que se faz no presente. Essa é a lei suprema para qualquer esportista. Medalhas de ouro não caem do céu.

Para saber como se comportaria no futuro, em relação ao esporte brasileiro, as Olimpíadas foram como uma grande prova de vestibular para a Record, que não passou. Vai ter que estudar um pouco mais.
Comente o texto no final da página. E converse com o colunista: brenocunha@natelinha.com.br / Twitter @cunhabreno

 

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