Reclamações contra Cagece aumentam 375%

A mudança na forma de calcular a fatura foi o que gerou o problema. Desde abril, voltou a ser calculado consumo real

O número de reclamações contra a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) junto ao Procon Fortaleza, órgão de Proteção e Defesa do Consumidor que atua na esfera municipal, cresceu 375% em um ano. De 1º de janeiro ao dia 5 de junho do ano passado, foram registradas 99 reclamações, enquanto em igual período deste ano, 471. Chama atenção o alto índice de queixas por cobranças indevidas ou abusivas. Foram 388, o que representa 82,3% do total.

Moradores do bairro Dunas reclamam do crescimento do valor cobrado nas contas de água, apesar da rotina das residências não ter mudado. Em um dos casos, a cobrança chegou a aumentar 136% Foto: Waleska Santiago

Em seguida, serviços realizados em desacordo com a lei (35), dúvida sobre cobrança ou valor (16), resolução de demandas – ausência de resposta, excesso de prazo, não suspensão imediata de cobrança (6), serviço não fornecido (6), entre outros (20). Das reclamações registradas neste ano, em apenas 11 casos houve acordo entre as partes (2%). O expressivo crescimento no número de queixas contra a Cagece se deve, principalmente, pela alteração de cálculo, o que fez com que as contas disparassem.

Impasse

Em dezembro do ano passado, as contas de milhares de clientes passaram a ser feitas pela média de consumo dos últimos meses. A mudança gerou uma série de protestos. Entretanto, ao que parece, o problema ainda não foi solucionado. No bairro Dunas, moradores continuam reclamando das cobranças abusivas nas contas de água, apesar da rotina nas residências continuar a mesma. Um empresário que preferiu não se identificar denuncia que a sua conta, que era de aproximadamente R$ 220,00, no mês passado subiu para R$ 520,00, representando 136% de aumento.

O caso não é isolado. A demanda de queixas deste tipo contra a Cagece no Procon é tão grande que, desde dezembro de 2012, o órgão disponibiliza funcionários para atenderem a população diretamente no Procon, no Centro. O serviço havia sido suspenso mas, desde ontem, retornou.

Registros

Através da assessoria de comunicação, a Cagece diz que, atualmente, não existem registros no órgão de reclamações em massa dos moradores do bairro Dunas. Em nota, o órgão afirma que o que deve estar acontecendo são casos pontuais, que devem ser tratados de forma isolada. “A Companhia indica que os clientes que se sintam prejudicados na cobrança das faturas procurem uma de nossas lojas de atendimento ou entrem em contato com a central de atendimento através do 0800.2750195”.

O órgão acrescenta que, no fim do ano passado e início deste ano, a Companhia passou a ter problemas relacionados à leitura e faturamento imediato. Contudo, ressalta que todas as contas faturadas no período de dezembro de 2012 a fevereiro de 2013 foram devidamente reanalisadas e reenviadas aos clientes. Para que não restem dúvidas, o órgão explica que os clientes podem verificar a medição que consta na fatura com os números indicados no medidor de seus imóveis, para constatar se a cobrança está sendo feita de maneira adequada. Outra dica que dá é procurar a Companhia para verificar se existem vazamentos ocultos, que podem interferir no valor da conta.

A mudança na forma de calcular a fatura da conta de água dos consumidores foi o que gerou a confusão. No entanto, conforme a Cagece, tratou-se de uma medida temporária – adotada até março deste ano – em decorrência do fim do contrato e não renovação da empresa que era de responsável pela leitura dos medidores nas residências. O processo licitatório para contratação da nova empresa está em curso. A previsão é de que a vencedora seja anunciada no próximo mês de julho. Ela será responsável por fazer o faturamento imediato da conta do cliente.

Índices

82% das reclamações registradas neste ano, de janeiro a junho, no Procon Fortaleza, dizem respeito a queixas por cobranças indevidas ou abusivas.

99 foi o total de reclamações registradas contra a Companhia de Água e Esgoto, de janeiro a junho do ano passado, sendo 85% por cobrança indevida ou abusiva.

LUANA LIMA
REPÓRTER

 

Diário do Nordeste-Cidade-06 de junho de 2013

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