Coluna do Paulo César Norões 18 de maio de 2013

 

Não tem perdão

Clube grande, em decisão, mesmo quando joga mal, dificilmente deixa escapar uma oportunidade de levar vantagem. Foi o caso do Ceará, no primeiro jogo da final. O Guarany deu as cartas, ocupou espaços e criou ótimas oportunidades. Cometeu, no entanto, o pecado de só aproveitar uma. Já o Vozão, que quase não incomodou Eliardo, achou uma chance e trouxe o empate que lhe dá ampla vantagem na decisão de logo mais. Que sirva de lição pro Bugre: se tiver chance, aproveite! Senão, o Vozão vai lá e… CRAU!

que fase Getúlio Vargas, campeão cearense pelo Fortaleza, em 2007, hoje no Bangu, está entre os três melhores goleiros do Carioca 2013. Concorre com Jefferson e Diego Cavalieri, da seleção de Felipão.

Favorito

Empate com gols em Sobral apenas reforçou o favoritismo do Ceará. Tem melhor time, melhor campanha e tradição. O que não quer dizer que já ganhou. O próprio retrospecto no Estadual – um empate e duas vitórias do Bugre – recomenda cautela.

Grande Argeu!

Pegou o Guarany lá embaixo, ameaçado de rebaixamento, e o trouxe à decisão do Estadual. Como zagueiro, foi campeão por Ceará e Fortaleza. Feitos comuns, se comparados ao ineditismo de levar um clube do interior ao título máximo.

“Cada gol que faço é importante para mim, ainda mais com a camisa do Ceará, clube que torço. Agora falta o principal: ser tricampeão.”

Mota
atacante do Ceará

Pra lotar

Torcida alvinegra atendeu o chamado da diretoria e lotou os pontos de venda de ingressos. Meta é ultrapassar os 55.500 pagantes de Fortaleza 1 x 0 Icasa, na decisão de 2007. Taí uma disputa boa e saudável!

Botando pilha

Atacante Luiz Carlos não perde a chance de criar polêmica. A última foi provocar os alvinegros, dizendo que o Castelão é campo neutro. Agora vai ter que aguentar. Torcedor do Vozão vai pegar no pé dele.

Melhor calar

No momento vivido pelo Fortaleza, quanto menos falarem dirigentes e treinador, melhor. Torcedor está chateado. Nada do que digam irá melhorar o clima. É hora de trabalhar e fazer um time vencedor. Isso é que faz a torcida feliz.

Coisas diferentes

Tricolores que fizeram protesto pacífico, último sábado, estão no direito deles. Faz parte da democracia. Bem diferente do(s) marginal(is) que jogaram bombas na casa do gerente de futebol, Jurandi Júnior. A esses, o rigor da lei.

 

Coluna redigida pelo jornalista Paulo César Norões para o jornal cearense Diário do Nordeste no dia 18 de maio de 2013

Coluna do Tom Barros 18 de maio de 2013

Escudo do Ceará Sporting Club

Guarany Sporting Club logo.gif

File:Copa-Bridgestone-Libertadores-Logo-1.PNG

 

O zelo do favorito

No entendimento de boa parte dos cronistas e também da torcida, o Ceará já encomendou as faixas de campeão. Mas o próprio Ceará não admite o “já ganhou”. O zelo do favorito decorre da consciência profissional dos que o dirigem, de Evandro Leitão a Leandro Campos. É sinal de respeito ao Bugre que há provado ter boa qualidade, conforme provam seus resultados este ano diante do próprio Ceará: três jogos, duas vitórias, um empate. Sim, pesa a vantagem do Ceará que joga por resultados iguais e em casa, no Castelão. Mas o zelo do favorito procede. Tem tudo a ver.

Marcação. João Marcos de volta. Certeza de melhor pegada na meia-cancha alvinegra. João é o último remanescente do famoso trio de ferro. Os companheiros mudaram, mas João continua eficiente como nos tempos de Michel e Heleno.

Força sobralense

O êxito do Guarany decorre da força coletiva, tudo bem. Mas na minha avaliação o que tem levado o Bugre ao melhor e permanente padrão é a sua meia-cancha (Fernando, Marcinho, Zé Augusto e Júnior Cearense). Esse quarteto está jogando muito.

Auge

A dupla Magno/Mota alcançou o auge justo na reta final do certame. O gradual crescimento é produto de um trabalho planejado. Mesmo quando por algum motivo a dupla não joga bem, um dos dois deixa a sua marca. Trunfo do Ceará.

“Jogador só fica marcado no clube se conquistar títulos. Quero escrever meu nome na história do Ceará com o título de tricampeão”.

Ricardinho
Meia do Ceará (no site do Ceará)

Fragilidade

Para preocupação do pesquisador Airton Fontenele, o Grêmio foi o quarto time brasileiro despachado da Libertadores. Antes foram eliminados São Paulo, Palmeiras e Corinthians. Restam Fluminense e Atlético/MG. O especialista Airton entende que essa fragilidade, às vésperas de uma Copa, pega muito mal.

Notas & notas

Esquema de trânsito pronto para Ceará x Guarany no Castelão. Queira Deus dê certo para espantar a péssima imagem que ficou do fracasso da organização do trânsito quando do show do Paul McCartney. /// Ex-atacante Ivo Pinheiro, que atuou pelo América, Ceará e Fortaleza, muda de idade hoje. Será alvo de homenagens. Parabéns.

Perigoso

Maciel, autor do gol do Guarany no empate com o Ceará em Sobral, há se mostrado exímio artilheiro. Emprestado pelo Horizonte, deslanchou no Bugre. E deve ter matado de arrependimento os que não o aproveitaram no Galo. A resposta de Maciel veio em forma de gols. Firmou-se no Guarany. Exigirá muita atenção da defesa alvinegra amanhã.

Recordando. Ontem, passei defronte ao local onde em 1969 funcionou a Rádio Dragão do Mar. Hoje lá há um edifício alto, de apartamentos, na esquina da Rua Antonio Sales com Av. Virgílio Távora. Na época, só havia muitos terrenos e poucas casas. Nem ônibus ia até lá. O ônibus mais próximo parava onde é hoje a Praça da Imprensa, que não existia ainda. O prédio da Dragão do Mar tinha apenas dois andares e havia sido projetado para receber a futura TV Dragão, que acabou não saindo por falta de concessão do governo. Em 1969, no radiojornalismo da Dragão estavam J. Ciro Saraiva, Nazareno Albuquerque, Cíades Alves, Dionísio da Ponte, Demilson Santos, Peixoto de Alencar e outros nomes famosos. Bateu saudade.

 

Coluna redigida pelo jornalista Tom Barros para o jornal Diário do Nordeste no dia 18 de maio de 2013

E o gramado levou a pior…

Após show, piso do Castelão tem aspecto castigado. Arena diz que isso não comprometerá a realização de jogos

A Arena Castelão recebeu no último dia 9 de maio o show de Paul McCartney. Após apresentação do ex-beatle, a situação do gramado do estádio está visivelmente alterada. Um internauta, que preferiu não se identificar, tirou uma foto do gramado na última quinta-feira, 16, e a enviou para o Diário do Nordeste online.

Foto feita na última quinta-feira, 16, e enviada por internauta mostra o gramado do estádio com uma coloração amarelada na parte onde ficou o palco do show

A imagem mostra a parte do campo onde foi instalado o palco do superstar britânico com um aspecto bastante amarelado, como se tivesse sido “raspado”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Arena Castelão. Em nota, a arena informou que técnicos da Fifa e do Comitê Organizador Local da Copa (COL), juntamente com os técnicos responsáveis pelo gramado do estádio, fizeram uma inspeção na área de campo depois da desmontagem da estrutura do show do ex-Beatle Paul McCartney para avaliar as condições do terreno.

Descoloração

Ainda de acordo com a assessoria da Arena, os técnicos constataram uma descoloração no tom esverdeado da grama, natural diante da estrutura montada no espaço, porém sem nenhum prejuízo maior que comprometa a realização de jogos no gramado do estádio, que recebe amanhã a segunda partida da decisão do Estadual 2013.

“Segundo os técnicos, é apenas uma questão de dias para que a grama retome sua cor original, sem que assim perca a capacidade de sediar eventos no estádio, incluindo o último jogo da final do Campeonato Cearense, entre Ceará e Guarany de Sobral, que acontece neste domingo, dia 19 de maio de 2013”, justificou a nota.

Após o jogo de amanhã, o estádio não receberá partidas até a Copa das Confederações.

WILTON RODRIGUES
DO DIÁRIO ONLINE

 

Diário do nordeste-Jogada-18 de maio de 2013

Audiência do último capítulo da satânica Salve Jorge

 

O último capítulo de “Salve Jorge” foi ao ar na noite desta sexta-feira (17) na Globo. A novela de Glória Perez transmitiu seu capítulo de número 179, totalizando assim sete meses no ar.

Entre os desfechos de maior impacto estava a prisão de Wanda (Totia Meirelles) e Lívia (Cláudia Raia). A quadrilha de tráfico internacional foi desmontada, acarretando na prisão das duas vilãs e também de Rosângela (Paloma Bernardi).
Russo foi preso após cair em uma armadilha. Ele foi seduzido por Jô (Thammy Gretchen), que o convenceu de usar algemas enquanto ela fazia uma dança sensual. Ao prendê-lo na cama, ela anunciou que o bandido estava detido. As jovens traficadas também tiveram a oportunidade de atacá-lo antes de ele ser levado pela polícia.
Na prisão, Wanda se converteu à religião e passou a dedicar o seu tempo à Bíblia e a outros livros.
Helô (Giovanna Antonelli) e Stênio (Alexandre Nero) se casaram mais uma vez. O casal fez uma cerimônia na Zona Portuária do Rio de Janeiro junto a convidados.
Morena (Nanda Costa) e Théo (Rodrigo Lombardi) voltaram ao Brasil com Jéssica. Eles foram recepcionadas por Lucimar (Dira Paes).
Audiência:
“Salve Jorge” chega ao fim com média acumulada de 34,3 pontos, a qual é considerada a mais baixa da história das 21h. O desempenho chega a ser pior que o de “Passione”, que teve 35,3 pontos e era detentora do posto até então.
Os números de “Salve Jorge” também apontam uma drástica queda se comparado ao Ibope da antecessora “Avenida Brasil”, que teve 39 pontos de média.
Apesar da baixa, os índices de “Salve Jorge” foram crescendo em seu decorrer. As alterações no texto, as quais acarretaram no aumento de alguns personagens, como Helô, Wanda, Jéssica (Carolina Dieckman) e Lívia, alavancaram o Ibope mas não foram suficientes para que a trama tivesse patamares ao menos similares aos alcançados por suas antecessoras.
O recorde negativo de “Salve Jorge” é de 18 pontos, número que foi obtido na noite de Ano Novo.
Ainda assim, desprezado esta data e o Natal (19 pontos), a história chegou a níveis alarmantes de audiência ao marcar 23 pontos de média – número que atualmente não chegaria a ser considerado excelente nem na faixa das 18h, que agora é ocupada por “Flor do Caribe”.
A rejeição à “Salve Jorge” também ocorreu por fatores externos ao próprio roteiro. Apesar de ter herdado o horário em alta de “Avenida Brasil”, o Horário de Verão e as altas temperaturas atrapalharam, em partes, os números do folhetim.
Erros:
Embora tenha sido elogiada pela abordagem do tráfico internacional de pessoas, “Salve Jorge” teve grande repercussão por seus equívocos. Cenas com falhas de continuidade ou incoerentes foram as mais destacadas nas redes sociais, provocando inclusive a ira da autora Glória Perez.
Autora: 
Assim como faz há vários anos, Glória Perez chamou para si a responsabilidade de todo o texto de “Salve Jorge”. A roteirista não trabalhou com colaboradores, prática que é regra entre todos os autores, desde novatos como Lícia Manzo, até os mais experientes, como Manoel Carlos.
Glória acompanhou diariamente a repercussão da novela pelo Twitter, onde chegou a ter momentos de irritação. Ao ser questionada pelos telespectadores pelos sucessivos erros, ela afirmou que o telespectador deveria “voar” para entender a história. Ela também se revoltou diante dos que só reclamavam e alertavam as falhas.
Nesta semana, a autora disse que “Salve Jorge” seria sua última novela a abordar outro país com tamanha intensidade. Ela, que já tem outras três tramas neste perfil (“O Clone”, “América” e “Caminho das Índias”), admitiu ter ideias para um novo trabalho e que adotará uma postura diferente.
Elenco:
“Salve Jorge” alavancou a carreira de diversos atores mas também minimizou a participação de outros. Saem em alta nomes como Nanda Costa, Totia Meirelles, Giovanna Antonelli, Adriano Garib, Dira Paes, Paloma Bernardi, Alexandre Barros e Thammy Gretchen.
Entretanto, ao mesmo tempo, atores de primeiro escalão como Vera Fischer, Cristiana Oliveira e Stenio Garcia foram praticamente esquecidos ou submetidos a participações de pouca expressividade.
Já o elenco, com quase 90 atores, desperdiçou gente. André Gonçalves sumiu de cena e nomes como Stênio Garcia, Cristiana Oliveira, Narjara Turetta e Otaviano Costa passaram longa temporada fora da tela. Duda Nagle, André Gonçalves e Sacha Bali foram outros que perderam bastante espaço no decorrer da história.
Na próxima segunda (20), estreia na faixa das nove “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco.
NaTelinha

É preciso elogiar a coragem de Gloria Perez no Twitter

“Salve Jorge” foi um desastre, mas seria injusto não reconhecer que Gloria Perez, ao longo de toda novela, teve uma atuação pública corajosa, especialmente no Twitter. A autora não fugiu de quase nenhuma discussão, defendeu sua novela com unhas e dentes, se expôs aos mais variados constrangimentos e, não menos importante, esclareceu vários erros e furos da trama.

Silvio de Abreu, Gilberto Braga e João Emanuel Carneiro, simplesmente, não dialogam com o público via redes sociais. Walcyr Carrasco vê o Twitter como ferramenta para reproduzir elogios e bajulações. Aguinaldo Silva, durante a exibição de “Fina Estampa”, recorria à sua conta para se vangloriar da audiência da novela e para promovê-la.

Pensando na postura destes autores da Globo, Gloria Perez teve um comportamento admirável. Discutiu com espectadores anônimos, corrigiu informações, acusou blogueiros de ganharem dinheiro para falar mal da novela (“troll pago”, disse) e enxergou um “bonde do recalque”, formado por gente supostamente orientada a criticar “Salve Jorge”.

Tanta exposição, é verdade, tem um preço. A autora de “Salve Jorge”, muitas vezes, flertou com o ridículo. Gloria apostou em confronto quando uma boa conversa talvez fosse suficiente. Viu conspiração onde só havia decepção. E não se deu conta de que, se expondo tanto, acabou colaborando para a diversão de quem entendeu, nos últimos meses, que a melhor maneira de acompanhar a novela era rindo dela.

Maurício Stycer – UOL

Convencional, “Sangue Bom” se divide entre crítica à mídia e mensagem de otimismo

Superado o impacto e a pirotecnia iniciais, é possível tentar avaliar “Sangue Bom” pelo que ela realmente é: uma novela convencional, sem maiores novidades, mas muito agradável e atraente, como se espera do horário das 19h30.

A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari está claramente dividida entre dois grandes núcleos – um bem escrachado, próximo da caricatura, e outro melodramático, com um pé na comédia romântica.

O mais interessante, naturalmente, é este primeiro. “Sangue Bom” parece disposta a refletir sobre um tema muito contemporâneo: o papel da mídia na criação de modas, na invenção de celebridades e na manipulação do público.

Para discutir este assunto, os autores colocaram no centro da trama uma agência de publicidade, dirigida pelo boçal Natan (Bruno Garcia), uma diva meio decadente da televisão, Barbara Ellen (Giulia Gam), e uma repórter de programa de celebridades, Sueli Pedrosa (Tuna Dwek), além de uma série de personagens periféricos engraçados.

Outros programas já se aventuraram pelo tema. A boa novela “Celebridade” (2003), de Gilberto Braga, e a arrasadora série “Vida Alheia” (2010), de Miguel Falabella, vem imediatamente à lembrança, mas “Sangue Bom” já deu indícios de que pretende ir além, especialmente por levantar a discussão sobre como a mobilidade social que o país vive, com o crescimento da classe C, afeta a mídia.

A opção pela caricatura e pelo exagero na representação dos personagens deste núcleo facilita o trabalho dos autores. Longe do registro realista, Maria Adelaide e Villari podem se arriscar mais e rir, inevitavelmente, do próprio mundo em que estão mergulhados. Até o momento, na minha opinião, é neste terreno que o afiado texto da novela está conseguindo chamar mais a atenção.

O foco principal de “Sangue Bom”, porém, é o outro grande núcleo, construído em torno dos seis jovens – Bento (Marco Pigossi), Amora (Sophie Charlotte), Malu (Fernanda Vasconcellos), Maurício (Jayme Matarazzo), Giane (Isabella Drummond) e Fabinho (Humberto Carrão).

Como explicitou a própria Globo nas chamadas que antecederam a estreia, o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, parece orientar o argumento da novela (“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”).

Além do amor não correspondido, os perfis dos seis jovens convidam a pensar sobre vida de aparências (Amora) e ambição desmedida (Fabinho), dois temas indispensáveis num bom melodrama.

Impossível, também, não notar o otimismo que a trama procura vender já a partir do título. Há muitos personagens com “sangue bom” na novela, tanto entre os remediados da Casa Verde quanto entre os ricos. O clima é compatível com o horário, mas não deixa de causar certo estranhamento. Os poucos personagens com dificuldades estão sempre com um sorriso no rosto, prontos a superar os obstáculos da vida.

Ainda assim, comparada à São Paulo de “Guerra dos Sexos”, a cidade que Maria Adelaide e Villari propõem em “Sangue Bom” parece muito mais real, diversificada e interessante. Encarando um dos personagens centrais, e talvez o mais difícil, da novela, Giulia Gam está se saindo muito bem como a atriz Barbara Ellen.