Unidade torna-se referência em transplantes no Estado

De 2011 a 2013, o Hospital realizou dez procedimentos; procura de outros estados pela unidade é crescente

A quantidade de transplantes realizados no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart (HM) Gomes é animadora. O serviço, que teve início em 2011, já realizou dez procedimentos até este ano. O hospital é o único das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País a realizar transplante de pulmão, posicionando a unidade como referência do procedimento no Brasil.

De acordo com o cirurgião torácico e coordenador da equipe de transplantes, Antero Gomes Neto, a demanda de pacientes de outros estados está crescendo, e chega a ser 20% do total. O motivo seria a qualidade do atendimento Foto: Rodrigo Carvalho

A prova disso é que o último paciente que recebeu um novo pulmão, em fevereiro deste ano, é de Pernambuco. Rubens Freire de Gusmão, 50, era portador de fibrose pulmonar em estágio avançado e dependia de oxigênio 24 horas por dia. Hoje, já pode respirar sem a ajuda de aparelhos. Além dele, um paciente do Rio Grande do Norte também já foi transplantado no Hospital e outros dois de regiões diferentes estão na fila de espera para, em breve, ganhar um novo pulmão.

Conforme explica o cirurgião torácico e coordenador da equipe de transplantes, Antero Gomes Neto, os profissionais estão percebendo que a demanda de pacientes de outros estados está crescendo, chegando a 20% do total. O motivo dessa procura, na visão de Gomes Neto, é a qualidade do atendimento e dos profissionais responsáveis pelos transplantes. Ainda para o coordenador, as cirurgias são um marco para o Estado.

Ele comenta que, antes, alguns pacientes, tanto locais como de outras regiões, não tinham alternativa de tratamento, mas, agora, dispõe de um serviço de alta qualidade. Outro fator que deve ser levado em conta, para o coordenador da equipe de transplante, é sucesso posterior ao procedimento. Segundo Gomes, de dez casos, oito paciente estão vivos. Esta meta, explica, é difícil de ser alcançada em um procedimento considerado de alta complexidade e ainda recente.

Transplantes no Ceará

Entre janeiro e maio de 2013, o Ceará realizou 378 procedimentos cirúrgicos. Os dados são da Central de Transplantes do Ceará. Ainda segundo a Central, o mês com maior quantidade de procedimentos foi o de janeiro, com 119 cirurgias, a maioria delas de córnea, com 76. No ano passado, 2012, entre janeiro e junho, de acordo com o Ministério da Saúde, o Ceará realizou 588 transplantes de órgãos. Os maiores transplantes também foram de córneas, com 346.

De acordo com dados da Central de Transplantes do Ceará, nos últimos dez anos, houve um aumento de 319% no número de doadores no Estado. Em 2012, o Ceará terminou o ano com uma ótima notícia: a quantidade de transplantes de rim e medula óssea no Estado registrou um novo recorde. O índice de transplantes de rim atingiu a marca de 282.

Porém, enquanto uns comemoram a oportunidade de uma vida mais saudável e tranquila, outros ainda permanecem na fila de espera, aguardando por uma chance. Atualmente, no Ceará 1038 pacientes aguardam por um órgão – 298 esperam por um rim, quatro por pulmão, 569 por córnea, 14 por coração, 139 por fígado e sete por rim.

Doe de Coração

A Campanha Doe de Coração é uma das incentivadoras para que o número de transplantes cresça cada vez mais. Com a intenção de contribuir para a conscientização da doação voluntária de órgãos no Estado, a Doe de Coração, há mais de dez anos, vem realizando iniciativas que têm levado esperança e alegria a milhares de pessoas e suas famílias.

A campanha é promovida pela Fundação Edson Queiroz com o apoio do Sistema Verdes Mares e parceria da Universidade de Fortaleza (Unifor). Em 2008, a Doe de Coração foi reconhecida nacionalmente pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), recebendo o prêmio Amigo do Doador concedido à Fundação Edson Queiroz.

SAIBA MAIS

1. Para ter acesso ao serviço de transplante em outra região, o paciente precisa ser encaminhado pelo médico de seu estado de origem, que deve enviar um relatório clínico com os dados do paciente e o motivo da indicação.

2. Logo após, o paciente é agendado para uma consulta com a equipe clínica e cirúrgica do programa do Hospital de Messejana. Depois de uma avaliação criteriosa, poderá ser incluído em lista para ser transplantado, ou o transplante pode ser contraindicado.

3. Para ser um doador de órgãos, não é necessário fazer nenhum documento por escrito. Basta que a sua família esteja ciente de sua vontade. Por isso, o passo principal é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo de doar.

Instituição já celebra 80 anos

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará realizou, ontem, sessão solene em comemoração aos 80 anos do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, inaugurado no dia 1º de maio de 1933.

Inicialmente, a entidade atendia apenas portadores de tuberculose. Hoje, oferece procedimentos de alta complexidade Foto: PAtrícia Araújo (01/09/2008)

Para o diretor geral do Hospital, Ernani Ximenes, o evento foi uma oportunidade de reconhecer e celebrar a importância da Instituição para a saúde de todos os cearenses.

O Hospital de Messejana foi inaugurado como instituição de caráter privado e, na época, atendia apenas portadores de tuberculose. Hoje, é referência no País nas áreas da cardiologia e pneumologia e oferece aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) tratamentos de ponta e procedimentos de alta complexidade, ainda não disponíveis no Norte e Nordeste e até em outras regiões do Brasil.

Exemplo disso é o transplante de pulmão e o Projeto Coração Artificial (utilização de dispositivos de assistência ventricular – coração artificial – como suporte circulatório mecânico em pacientes da lista de espera por um transplante cardíaco que se encontram em grave estado de saúde), que só são encontrados nas regiões Norte e Nordeste no Hospital de Messejana.

O Sistema de Mapeamento Eletroanatômico Tridimensional, que realiza o mapeamento de arritmias complexas (fibrilação atrial e ventriculares) com definição mais precisa, é exclusividade da unidade na rede SUS em todo o País.

Já na área de ensino e pesquisa, o Hospital é o primeiro do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil a ter o Doutorado em Cardiologia.

Além disso, o índice de pacientes satisfeitos com o atendimento recebido na Instituição é de 90%. Por ser hospital de ensino e pesquisa reconhecido pelos Mistérios da Saúde e Educação, a entidade também exerce papel fundamental na formação de profissionais da área da saúde.

Pioneirismo

De acordo com Ernani Ximenes, ser pioneiro em serviços de alta complexidade é consequência de uma história de trabalho de 80 anos de sucesso e compromisso, em benefício dos pacientes do Ceará e de outras regiões do Norte e Nordeste.

Ainda segundo o diretor geral do hospital, a qualificação do corpo clínico e das equipes multidisciplinares fazem a diferença no atendimento oferecido ao público atendido na Instituição.

LÍVIA LOPES
REPÓRTER

 

Diário do Nordeste-Cidade-11 de maio de 2013

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