O Observador: “Salve Jorge” é, no máximo, interessante e nada mais

Há muito tempo existe a discussão – e ela não está enfraquecendo, como previam algumas pessoas – sobre a qualidade de “Salve Jorge”. Não por conta da produção artística, que é impecável – mas esse mérito deve ser dado à Globo, mais respeitada produtora de telenovelas do mundo -. “Salve Jorge” não tem sabor, é sem graça e, justamente por conta dos pouquíssimos acontecimentos marcantes no folhetim até hoje, não consegue prender o público.
Uma prova é a oscilação da novela em sua audiência. O público até se interessa por alguns capítulos, mas não tem paciência para voltar no dia seguinte.
Os comentários da autora Glória Perez em seu Twitter, rebatendo telespectadores que apontam erros na história, ou até críticas negativas ao seu folhetim, só denunciam que “Salve Jorge” é fraca. Nem boa, nem ruim, somente fraca. Insossa. No começo parecia, de fato, apenas “birras de adultos patéticos batendo o pezinho porque estreou uma novela nova”. Depois, provou-se que não. A novela é fraca mesmo e ninguém poderá mudar isso.
O excesso de personagens, a escassez de uma boa história (e não confunda isso com o tema do tráfico de pessoas, riquíssimo, mas abordado de forma errada) pra contar, a falta de ação, entre alguns outros fatores que os “curiosos” – como a novelista definiu quem questionou a respeito de Mustafá (Antonio Calloni) conhecer Morena (Nanda Costa) -, tanto reclamam, farão essa novela ser esquecida em pouco tempo.
Ela falou também, ao jornal “O Dia”, que nunca viu “campanha tão sórdida contra uma novela”. A única salvação de “Salve Jorge” seria ter começado – ou se esforçado para isso – no ritmo em que terminou sua antecessora. Não foi o caso.
Que “Avenida Brasil” mudou o conceito e até mesmo a visão do público a respeito de um bom trabalho na televisão, todo mundo já se deu conta. Não à toa, Glória Perez publicou há duas semanas uma foto com a informação de que Carminha (Adriana Esteves) está de férias na Turquia, alusão ao país para onde são levadas as mulheres traficadas, em “Salve Jorge”.
Quando uma piada traz mais reflexão sobre seu conteúdo do que risos da plateia, não foi uma piada. O mesmo raciocínio pode ser usado para a novela. Fosse uma trama que despertasse atenção, “Salve Jorge” não geraria tanta discussão e polêmica. O atual folhetim das 21h é, no máximo, interessante. Bem diferente de outros, escritos pela mesma autora.
Breno Cunha escreve sobre mídia e televisão há quatro anos e sempre foi conhecido por grandes discussões provocadas por suas críticas. No NaTelinha não é diferente. Converse com ele: brenocunha@natelinha.com.br / Twitter @cunhabreno

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