Funceme mantém previsão abaixo da média histórica

Diário do Nordeste 23 de fevereiro de 2013

 

Atualização do prognóstico da quadra não tem maiores alterações com relação ao divulgado em janeiro

Fortaleza. As chuvas para o período de março, abril e maio deste ano tendem mais a ser abaixo da média histórica do Estado. A avaliação foi divulgada, ontem, pela Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), numa atualização de prognóstico, tendo como parâmetro o divulgado em janeiro passado.

Com isso, não houve maiores alterações com relação à última análise. Mesmo neste mês tendo uma soma pluviométrica superior as da pré-estação, também ficou abaixo da média. Do dia primeiro a 21 passados, choveu cerca de 68 mm em todo o Estado, o que representou um desvio negativo de 40%, com a relação à média histórica, que é de 112,8mm.

A meteorologista Deysiane Quaresma informou que houve uma melhora no quadro de chuvas durante este mês. No entanto, a zona de convergência intertropical que prepondera na quadra da região encontra-se agora afastada da região.

Veranicos

Do mesmo modo, Deysiane informou que a previsão de chuvas para as próximas horas deverá ocorrer de forma isolada, atingindo a faixa litorânea cearense. “As chuvas no Ceará se comportam de forma bastante irregular, tanto no aspecto espacial quanto temporal”, disse.

A meteorologista observa que essa situação explica porque os veranicos deverão atuar na quadra, entendidos como períodos chuvosos interrompidos por hiatos prolongados de estiagem. Lembrou que uma nova atualização deverá ser divulgada pela Funceme em março próximo, em data ainda a ser estabelecida. Pelo quadro de chuvas caídas nos primeiros 21 dias deste mês, a maior pluviometria ocorreu no Litoral Norte, com 95mm, enquanto que a média é de 127,8mm, representando um desvio de 25% negativos. A mais baixa pluviosidade aconteceu no Sertão Central e Inhamuns 42, enquanto a média histórica é de 89,3mm, representando uma variação negativa de 52%. A divulgação do prognóstico atualizado deu-se após a reunião dos técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE), da Funceme e dos núcleos de meteorologia dos estados no Nordeste, para atualizar o prognóstico de chuvas para a Região.

O encontro aconteceu na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), em Natal, e, segundo consenso dos meteorologistas, a previsão climática para os meses de março, abril e maio no Semiárido Nordestino, incluindo o Estado do Ceará, aponta probabilidade de 40% para as precipitações ficarem abaixo do normal.

Para a categoria em torno da normal, foi apontada uma probabilidade de 35%, e há ainda 25% de probabilidade de chover uma quantidade acima da normal no período. Para chegar a essa conclusão, os meteorologistas analisaram assim as condições termodinâmicas dos oceanos, principalmente o Atlântico, e da atmosfera, na comparação com janeiro. Os meteorologistas são unânimes em descartar a influência de fenômenos como El Niño ou La Niña, que agem no Oceano Atlântico.

Comparação

No dia 25 de janeiro, a Funceme havia divulgado probabilidade de 45% de chuvas abaixo da normal, diferente dos 40% divulgados hoje. Essa diferença se deve a dois fatores, o primeiro foi a leve melhora nas condições do Oceano Atlântico e o segundo é o fato de que as duas previsões apontam para períodos diferentes. Em janeiro, abrangia os meses de fevereiro, março e abril, e o de fevereiro se refere aos meses de março, abril e maio.

Assim como aconteceu em janeiro, também foi considerado um modelo atmosférico global gerado pela Funceme, único núcleo estadual do Brasil a fornecer esse tipo de informação em escala mundial. O novo produto foi analisado assim como os modelos do Inmet e CPTEC/INPE.

Mais informações:

Funceme
Avenida Rui Barbosa, 1246 – Aldeota, Fortaleza
Telefone: (085) 3101-1088
http://www.funceme.br/

MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

Produtores aguardam milho da Conab

Na zona rural de Crateús, animais ainda sofrem as consequências da falta de água e pasto. Chuvas ainda são insuficientes FOTO: WELLINGTON MACEDO

Iguatu As chuvas caídas nas duas últimas semanas no Ceará ainda são insuficientes para reverter o quadro de escassez de água e de alimentação para o rebanho no Interior. A mortandade dos animais é crescente e o temor de uma nova estiagem deixa os produtores rurais cada vez mais preocupados.

Em quase todas as regiões do sertão cearense, o relato dos criadores é de tristeza em decorrência da morte de bovinos. Nas áreas de criação e nas margens das rodovias, as carcaças de bovinos mortos denunciam a gravidade da seca que se prolonga neste ano. Na localidade de Riacho Vermelho, zona rural de Iguatu, o criador Aldeci Alves Vieira, já perdeu 30 animais, vacas e bois, em sua propriedade. “Os mais fracos estão morrendo de fome”, disse. “Ontem mesmo, meu filho puxou mais duas vacas que amanheceram mortas. É triste ver os bichos morrerem”.

No Sertão de Crateús, a cena se repete. O criador Jefferson Alves Bezerra disse que os animais passam sede e fome e nenhuma ajuda do governo estadual chega aos pequenos produtores do município. “Os bois estão fracos e, muitos, quase não se levantam. Há alguns que até parecem estar chorando. Dá para perceber que escorrem lágrimas dos olhos dos bichos”.

Oficialmente, a quadra invernosa começou no Ceará, neste mês, mas até o momento as precipitações têm sido abaixo da média. Em decorrência da gravidade da situação da pecuária no Ceará, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, defendeu uma verdadeira operação de guerra para salvar o rebanho. “O gado está morrendo nas roças e, se configurar uma nova seca, até julho teremos um quadro de dizimação do rebanho”, disse. “Precisamos vencer essa inércia e manter a atividade pecuária ativa”.

O superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no Ceará, Agenor Pereira, disse que no início deste ano foram contratadas 31 mil toneladas de milho do Programa de Venda em Balcão. “Já recebemos a metade e o restante começa a chegar aos 17 locais de venda. Para março, apresentamos uma demanda mais de 36 mil toneladas e estamos aguardando retorno da Conab, em Brasília”, disse ele.

Segundo afirmou, seriam necessárias 68 mil toneladas de milho por mês para atender à necessidade dos criadores no Estado. “O nosso esforço é para amenizar as dificuldades dos criadores, priorizando a agricultura familiar”, disse. “A nossa preocupação é grande mediante o quadro de seca que castiga o sertão”.

Até o fim deste mês, o preço do milho na Conab permanece segundo a portaria interministerial que está vigorando. Varia de acordo com a quantidade adquirida: até três mil quilos, a saca de 60kg custa R$ 18,12; entre mil quilos e sete mil quilos, custa R$ 21,00; e entre sete mil quilos e 14 mil quilos, custa R$ 24,60. É um valor bem abaixo do mercado, cuja saca de 60 quilos custa R$ 40,00.

Anteontem, na reunião do Agropacto, com a participação de deputados federais, senadores e do Governo do Estado, Saboya apresentou o projeto emergencial para produção de forragem. A ideia é implantar 10 mil hectares em áreas públicas do Dnocs ociosas nos perímetros irrigados e em unidades particulares, que dispõe de terra e água. “Esse é um projeto coletivo, de todas as lideranças do setor, e não da Faec”, frisou. “Seria formada uma Parceria Público-Privada”, defende ele.

De acordo com o projeto, o Governo do Estado participaria com recursos para compra de equipamentos de irrigação, pivô central. Já o Governo Federal disponibilizaria linha de crédito especial para os produtores interessados em participar da produção de forragem. Haveria um acordo para produção e comercialização, com preço pré-definido. “A pecuária responde por 53% do valor bruto da produção do Estado”, observou.

O secretário de Políticas Agrícolas da Fetraece, Luiz Carlos Ribeiro de Lima, criticou a falta de ação concreta e efetiva em socorro aos produtores rurais. “As políticas públicas são importantes, discutidas todas as semanas no Comitê da Seca, mas são insuficientes para atender a demanda, não se concretizam dentro do esperado”. Ele lamenta atraso na liberação de recursos.

Mais informações

Superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento do Ceará (Conab) – Fortaleza
Gerência de Operações
Telefone: (85) 3252. 172

HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER

 

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