“O Cravo e a Rosa”, a melhor comédia das seis

Inspirada na peça “A Megera Indomada” de William Shakespeare e na novela “O Machão” de Ivani Ribeiro, “O Cravo e a Rosa” marcou a estreia de Walcyr Carrasco na Globo e o retorno do diretor Walter Avancini, os dois que já haviam trabalhado juntos em “Xica da Silva” repetiram a parceria nesta comédia inesquecível.

Quem viu Adriana Esteves dando um show como Carminha de “Avenida Brasil”, sabe que a atriz possui uma veia cômica bastante aflorada, talvez seja herança da mocinha brigona Catarina, a qual atirava vasos pela casa sempre que seu pai insistia para que casasse. Feminista ao extremo, ela não queria ser submissa a homem nenhum, até que Petruchio, interpretado com maestria por Eduardo Moscovis, toma para sai a missão de domar a fera e levá-la ao altar.

“O Cravo e a Rosa” foi uma comédia realista. Ao dirigir os atores, o sábio Avancini pediu a eles que atuassem sem fazer graça, assim o texto por si só cumpriria este papel. O resultado foi uma trama engraçada do início ao fim, despida de qualquer afetação, ou forçação.

Com um elenco enxuto, Walcyr armou núcleos que eram cômicos e dramáticos ao mesmo tempo. A família Valente – composta por Cornélio, Dinorá, Josefa e Heitor – fazia o público ri, chorar, amar e odiar. Maria Padilha vivia a mulher adúltera, Ney Latorraca fazia o marido traído e a incrível Eva Todor estava na pele da sogra rabugenta. Um trio de grandes atores do teatro que defenderam seu núcleo brilhantemente.

No cenário rural, encontravam-se as melhores personagens caipiras já criadas por Carrasco. Pedro Paulo Rangel, Ana Lúcia Torre, Taumaturgo Ferreira e a estreante Vanessa Gerbelli conseguiram fugir dos estereótipos e encher seus papeis de profundidade. Os bordões de Calixto, a paixão reprimida de Neca, a ascensão social Januário e as armações de Lindinha movimentaram a trama.

De “Xica da Silva”, não foi apenas a parceria entre autor e diretor que se repetiu, muitos atores que estiveram na produção da Manchete marcaram presença. Caso de Drica Moraes, que viveu sua segunda vilã escrita por Walcyr, Déo Garzez e Mateus Petinatti. Todos eles foram bem aproveitados, principalmente Drica que mostrou ser versátil fazendo uma personagem que poderia cair em repetição.

A trilha sonora mesclava clássicos como “Lua Branca” de Chiquinha Gonzaga e músicas contemporâneas como “Tua Boca” do cantor Belo que embalava os momentos românticos do casal brigão.

“O Cravo e a Rosa” elevou os índices do horário das seis com uma média geral de 31 pontos no Ibope. As anteriores “Força de um Desejo” e “Esplendor”, pontuaram 26 e 28, respectivamente. Sucesso de público e crítica, a comédia voltou em 2003, menos de dois anos após o seu fim e cravou no “Vale a Pena Ver de Novo” uma média geral de 22 pontos. “Arriegua!”.

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