Lauro César Muniz chama o povo brasileiro de idiota

Lauro César Muniz usou de toda sua criatividade para mandar recados no último capítulo de “Máscaras”, novela que é considerada nos bastidores da Record um fracasso. Nos momentos finais, ficção e realidade se misturaram para mostrar ao público que aquilo era uma história onde muitos profissionais estavam envolvidos e mereciam respeito. Foi uma alfinetada na direção da emissora, em quem assistiu e não entendeu, em quem é contra inovações e na crítica que falou sem assistir, que julgou e condenou. Lauro César Muniz acertou ou errou com esta atitude? A resposta não é tão fácil, mas dá uma excelente discussão.

Eliza é condenada a prestar serviços sociais. A sequência deixa muito claro que o tempo passou e que ela sai de uma atividade assistencial para encontrar Otávio. A personagem entra no táxi e o movimento do carro leva o telespectador até o estúdio do RecNov onde “Máscaras” é gravada. A partir dai entra a realidade com Paloma Duarte. A atriz desembarca do táxi e caminha para a gravação de sua última cena, a última da novela. E desabafa. Manda recados para muitas pessoas e revela um pouco dos bastidores de uma novela ao passar por corredores, camarins e salas de maquiagem. Paloma Duarte foi a escolhida para o forte texto não somente pela importância de sua personagem, mas principalmente por ser considerada por Lauro César Muniz como uma das melhores de sua geração.

“O que importa para mim é o caminho. É a batalha. Essa é sempre linda, ao menos quando eu trabalho para você”.

“Máscaras” não foi um sucesso de audiência, todo mundo sabe, inclusive quem participou deste folhetim. A novela derrubou pela metade os índices desta faixa de horário e essa redução aconteceu porque o público, logo no início, não compreendeu algumas propostas de Lauro César Muniz. O próprio autor reconheceu que errou nos primeiros capítulos ao não dar possibilidades de felicidade ao telespectador. “Máscaras” começou com sequestro de criança, depressão pós-parto, conspiração internacional, sumiço da mocinha e personagem sem nome. A ideia era mostrar que podemos mudar de imagem diante das necessidades da vida. Não funcionou e a equipe de roteiristas se desdobrou para encontrar o caminho.

“Máscaras” também não deu certo por erros cometidos na direção e iluminação. Mais uma vez se optou por algo naturalista cheio de sombras, poucas cores e imagens mais chapadas. Para agravar a situação, os primeiros capítulos foram rodados num navio de verdade, limitando as tomadas, ângulos e movimentos de câmeras. O resultado foi meio desastroso com cenas onde os atores pouco se movimentavam ou onde o telespectador percebia claramente que tudo estava apertado. Teria sido melhor construir em estúdio um navio de mentirinha, algo capaz de garantir iluminação, ângulos e agradar ao público.

Com baixa audiência, a Record não soube administrar a crise e o fracasso foi decretado nos sites, revistas e jornais. A emissora também mostrou imaturidade ao utilizar a própria programação para reverter a situação da novela. Já Lauro César Muniz pecou por apostar em algo muito diferente. “Máscaras” ensinou que para inovar não dá para fugir muito da receita clássica de uma novela. O público só vai aceitar o novo ao se sentir confortável com o que já está acostumado.

Record vai usar filmes inéditos às 21h30 até “Balacobaco” emplacar

Os responsáveis pela programação da Record não economizarão nos filmes para alavancar a novela “Balacobaco”. O folhetim estreou na última quinta-feira com 8 de média, empatado com o SBT. Na sexta, caiu para 6 ficando dois pontos abaixo da concorrente. Na Barra Funda são muitos os que defendem a permanência de filmes inéditos às segundas, terças, quintas e sextas no lugar do “Tudo a Ver”, programa que não tem conseguido deslanchar em audiência e dificilmente ultrapassa a faixa dos 4 pontos, um índice fraco para impulsionar a novela que entra na sequência.

A derrota sofrida na sexta-feira não foi bem assimilada por muitos na Record e reascendeu uma antiga discussão sobre a eficiência do cross-media desenvolvido pela emissora. “Balacobaco” entrou no ar sem grande repercussão apesar de reportagens em telejornais e programas da Record. Nos bastidores da Barra Funda há quem defenda uma ação mais orquestrada nesse sentido, com equipe própria e especializada em fazer “propaganda” da própria grade, unindo as diferentes plataformas para impulsionar os investimentos da empresa. Ao apostar  em filmes para impulsionar “Balacobaco”, os diretores da Record sinalizaram que também não acreditam muito em “Tudo a Ver” com suas intermináveis reprises. Enquanto não houver investimento, o programa só funcionará mesmo para esperar a novela da Globo terminar.

José Armando Vannucci

Um fim de semana para a Record esquecer . Chuta que é macumba pesada ……

O fim de semana não foi nada bem para a Rede Record. A emissora se sentiu frustrada com o lançamento de “Balacobaco”, que na sexta-feira (5) marcou apenas seis pontos de audiência. O “Programa da Tarde”, com Britto Jr. e Ana Hickmann, também marcou recorde negativo, com 3 pontos. O SBT, por outro lado, segue comemorando a vice-liderança com as reprises de novelas mexicanas e “Carrossel”, que mantém o triplo da audiência da terceira colocada.

  • No sábado, com o recorde de “Avenida Brasil”, “O Melhor do Brasil”, de Rodrigo Faro, marcou apenas 5 pontos, uma de suas piores médias. O compacto dos dois primeiros capítulos de “Balacobaco” também decepcionou, marcando 4 pontos. No SBT, destaque para o “Programa Raul Gil” que marcou seis pontos, conquistando a vice-liderança.

    Confira as médias-dia do fim de semana:

    Sexta-feira, 05/10: Globo 14.9; SBT 6.2; Record 4.7; Band 2.3; Cultura 1.2; e, RedeTV 1.0

    Sábado, 06/10: Globo 14.9; SBT 4.9; Record 4.5; Band 1.7; RedeTV 0.9; e, Cultura 0.9

    Domingo, 07/10: Globo 12.9; SBT 6.0; Record 5.6; Band 2.6; RedeTV 0.9; e, Cultura 0.9

    Cada ponto equivale a cerca de 60,2 mil domicílios na Grande S. Paulo .

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