Qualidade ou audiência, o que vale numa novela?

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Aguinaldo Silva escreveu recentemente a novela “Fina Estampa”, na Globo – Divulgação
Neste sábado (15), estava eu olhando, como sempre faço, as redes sociais. De repente, vi que Aguinaldo Silva repercutiu a notícia de que a Globo criará um controle de qualidade para as suas novelas.
Brinquei, então, dizendo que certamente ele não havia gostado da informação, e, justificando, falei que as novelas dele já foram melhores. O criador de Tereza Cristina concordou comigo, mas afirmou que as dele, pelo menos, ainda dão audiência. E comparou “Fina Estampa” com “Avenida Brasil”, dizendo que a primeira ainda está na frente da segunda na média geral.
Esse pequeno debate de um sábado à noite que, a princípio, julguei sem perspectiva, me fez refletir uma coisa. O que mais vale: audiência ou qualidade? Uma coisa puxa a outra? Essas perguntas, apesar de serem emblemáticas, podem ser respondidas facilmente se uma análise puramente fria, que não seja simplória e tendenciosa, for feita. Então vamos lá.
Para que uma novela dê certo, em audiência, é preciso que um conjunto de fatores estejam delicadamente aliados: Época do ano, produtos da concorrência exibidos no horário, Ibope da atração que antecede o folhetim, qualidade e etc. Um programa sem qualidade pode dar certo pelo fato de não ser somente isso que conta para haver interesse do público.
“Fina Estampa” ilustra bem. Não foi uma novela exatamente boa, faltou qualidade de história, faltou atuação, faltou texto, faltou realismo… Enfim, faltaram muitas coisas. Mas sobraram outras também importantes para se ter uma boa audiência, mas que não fazem parte do trabalho técnico de produção. Talvez por isso, o público esquecerá muito rápido de tudo que “Fina Estampa” ofereceu. Por outro lado, ninguém, algum dia, perderá na memória a épica Nazaré Tedesco, personagem desse mesmo Aguinaldo.
E aí entra a questão da qualidade. “Avenida Brasil” pode não ter uma audiência superior à antecessora em São Paulo, mas o público não esqueceu, até hoje, do seu primeiro capítulo que, por exemplo, nos revelou Mel Maia. O público dificilmente se esquecerá de vários momentos protagonizados por Carminha e Nina. Cada capítulo de “Avenida Brasil” é ovacionado pelos críticos, pelo público e pela “galerinha” das redes sociais. Coisa que não se viu em “Fina Estampa”.
“As novelas de um modo geral já foram melhores”, me disse Aguinaldo; e completou: “O problema é que as minhas continuam campeãs de audiência”. Ele está certo e errado.
Certo por conta do fator ‘audiência’ valer mais do que ‘qualidade’ hoje em dia, infelizmente. Errado por estar conformado que fez uma novela pior do que o que se esperava. Logo ele, que já foi o melhor.
Breno Cunha escreve sobre mídia e televisão há quatro anos e sempre foi conhecido por grandes discussões provocadas por suas críticas. No NaTelinha não é diferente. Converse com ele: Twitter @cunhabreno 

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