A intenção da Record é quebrar o monopólio?

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Desde 2004, com o slogan de “Rumo à Liderança”, a Record vem pregando que quer quebrar o monopólio da TV Globo, em função dos males que ele causa. São muitos, é verdade, mas será que essa é realmente a intenção?

Há oito anos, a emissora dos bispos mexeu com o mercado e estremeceu a Globo. Autores, atores, produtores, jornalistas, roteiristas, e outros profissionais migraram de estação com a investida da Record.
O mercado foi aquecido, e a partir daí a rede começou a atirar para todos os lados. Eventos esportivos como o Campeonato Brasileiro tiveram seus preços inflacionados, graças à investida da Record na tentativa de tirá-lo da Globo, bem como a Copa do Mundo, dentre outros.
Com tantas investidas, a Record conseguiu os direitos das Olimpíadas em Londres de 2012, há cinco anos. Pagou pela exclusividade cerca de R$ 63 milhões, conforme publicado na Revista Veja em 2007. Criou-se uma enorme expectativa em torno disso. Afinal, o evento mais esportivo do planeta tinha novo dono, e a visibilidade que isso lhe traria, além do retorno financeiro, seria de uma enorme magnitude.
A emissora prometeu uma transmissão histórica das Olimpíadas. No que tange ao tempo dedicado ao evento, é indiscutível que a Record tenha uma programação mais flexível que a Globo, e por isso, possa exibir mais horas por dia que ela. Entre novela e Olimpíada, certamente a emissora carioca escolheria a primeira opção, privando a maioria da população de acompanhar os jogos olímpicos. Os tais “flashs” aconteceriam aos montes, e a prioridade poderia acontecer, talvez, com os esportes que a população mais gosta, como é o caso do futebol.
É bem verdade que a Globo cedeu bastante espaço ao evento em 2008, quando foi realizado em Pequim. O motivo? Eles aconteciam em um horário “morto”, pela madrugada e manhã. O que não aconteceu em 2004, em Atenas, na Grécia.
Em um domingo à tarde (pasmem), enquanto a Globo transmitia o “Domingão do Faustão”, a Band (também detentora das Olimpíadas na época) mostrava ginástica, quando chegou a marcar 21 pontos no Ibope contra apenas 13 da Globo. Ainda assim, a emissora carioca por diversas vezes preferia exibir a “Sessão da Tarde” ou desenhos pela manhã, em detrimento dos Jogos de Atenas. Sorte que tínhamos opção.
Hoje, a Record é dona dos direitos de transmissão. E muitos têm reclamado. Ela tem regulado liberação de imagem e replays, indo contra a legislação.
O Portal UOL entrou na Justiça para que pudesse selecionar as imagens dos eventos que preferir, que por direito são 3% do total (a média diária de jornada esportiva é de 13 horas), e reinvindicou também o direito de divulgá-las quando quiser. A Record exigia que o UOL as utilizasse em até 24 horas, além de informar que cederia apenas seis minutos de imagens diárias das Olimpíadas. A Justiça deu ganho de causa ao UOL.
Como muitos têm acompanhado, o canal SporTV também anda em atrito com a Record. Reclamações de locações ocupadas todas pela Record e falta de câmeras exclusivas estão em pauta na discussão.
Tudo isso nos leva a pensar… A Record realmente quer o fim do “monopólio”, ou que ele mude de mãos?
Vale lembrar que nos próximos jogos olímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016, teremos três emissoras abertas que vão realizar a transmissão: Globo, Record e Band.
Converse com o colunista. Envie um e-mail para thiagoforato@natelinha.com.br ou fale pelo Twitter: @Forato_

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