O Texto abaixo é de Arthur Vivaqua

O MENDIGO E O ENGRAVATADO

“A falta de Amor é a maior de todas as pobrezas.”
Madre Teresa
 
Conta-se a história de um mendigo que morava na calçada de um Restaurante.
Diariamente, ele se colocava à porta, implorando por um prato de comida, mas o Dono do Restaurante, um homem bigodudo e mal humorado, sempre o repelia, dizendo:
– Caia fora! Aqui só come quem paga!
E assim, o mendigo comia das latas de lixo, incapaz de comprar algo digno com as poucas moedas que recebia.
Certo dia, a porta do Restaurante se abriu e o mendigo se dirigiu ao balcão.
Indignado com tamanha ousadia, o Dono avançou em direção ao mendigo, preparando-se para expulsá-lo:
– Quem te mandou entrar, moleque? – Gritou – Aqui só come quem paga, eu já falei!
Para sua surpresa, porém, uma voz vinda de trás do mendigo respondeu:
– Pois este senhor está comigo e eu, como o senhor bem sabe, pago.
As palavras eram de um grande executivo que almoçava diariamente no Restaurante, sempre pedindo os mais caros pratos do cardápio.
Pálido, o dono do Restaurante curvou-se e, tentando soar o mais gentil possível, gaguejou:
– Po-pois não, senhor. Eu prepararei uma mesa e…
– Não se incomode. – Interrompeu-o o executivo com frieza – O ambiente aqui não é digno do meu convidado. Embrulhe nossa comida para viagem, por favor.
E assim, o mendigo pediu o que queria e recebeu a embalagem de comida das mãos de seu algoz.
Felizes, o esfarrapado e o engravatado almoçaram na calçada.
 
 
 ***
“Assistencialistas“.
Este é o apelido que os “donos de Restaurante” dão aos “executivos”.
Atrás dos balcões do Comodismo, torcem o nariz para a calçada.
Não alimentam “mendigos” (claro que não!) mas insistem em criticar quem o faz.
– Ele só fez isso para dar uma de bonzinho! – Deve ter dito o dono do Restaurante assim que o executivo saiu pela porta.
Teria sido por isso? Estaria o executivo tentando impressionar alguém?
Ora, que seja! O mendigo estava se alimentando!
 Não é isso que importa?
Não para os hipócritas.
Estes não movem uma palha, mas não aprovam a forma com a qual os outros estão movendo os montes.
Trancam portas, torcendo para que os que as abrem se deem mal.
Formam um Grupo maldoso, crítico da Bondade.
Por mais alto, porém, que o Mal grite, nosso consolo é saber que o Bem não se cala.
E é por isso que Gugu, Luciano Huck, Celso Portiolli e suas respectivas Produções merecem aplausos.
Não conheço suas intenções (estas deixo com Deus) mas vejo suas atitudes.
Casas reformadas.
Carros consertados.
Vidas reconstruídas.
Mendigos entrando onde jamais lhes seria permitido adentrar!
– Puro Assistencialismo! – Insiste, em comunicado oficial, o Sindicato dos Egoístas.
Por favor, não troque a Emoção pela Intelectualidade.
Claro que a TV visa lucro.
Obviamente o dinheiro gasto nos Quadros é recuperado (com sobras) nos Patrocínios.
Certamente tais Quadros existem porque geram Ibope.
Mas nenhum desses fatores anula o que é feito.
Não me preocupo com o que o executivo ganha, pois estou ocupado demais vendo a felicidade estampada no rosto do mendigo…
***
Aplausos aos que fazem. E aos que vaiam, que tal então fazer algo?
Se cada crítico contribuísse com R$1,00 não precisaríamos da TV.
Se cada um doasse um prato de comida as calçadas estariam vazias.
Se olhássemos pela janela perceberíamos quão belas são nossas casas.
“Você faz isso, Arthur?”
Não, confesso. Por isso admiro quem faz.
***
Há quem diga que não se deve “dar peixes”, mas “ensinar a pescar”.
Concordo.
Mas é preciso lembrar que a pescaria pode ser árdua.
E todos nós precisamos de ajuda enquanto os peixes não vem.
***
Na calçada da vida, há mendigos e engravatados.
Mas todos seremos iguais enquanto nela estivermos sentados…

Escrito por James Akel

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