Fracassos ensinam que televisão não é ciência

 

Vejo uma certa arrogância no comportamento tanto de quem faz televisão quanto de quem escreve ou fala a respeito, entre os quais me incluo. Autores, diretores e produtores olham com certo desdém para quem comenta, enquanto são vistos frequentemente como pessoas desorientadas, necessitadas de bons conselhos.

Fracassos retumbantes, como a novela “Máscaras”, da Record, e o humorístico “Saturday Night Live”, da RedeTV!, talvez ajudem a redimensionar o papel tanto de quem faz quanto o de quem comenta sobre TV.

Não vou discutir aqui sobre as razões do insucesso destes dois programas, que custaram esforço às emissoras, mereceram investimento dos patrocinadores, mas não agradaram ao público. Poderíamos falar horas sobre isso.

Prometo voltar ao assunto. Hoje quero apenas chamar a atenção para um aspecto: o sucesso em televisão não é científico. O imponderável e o imprevisto atuam neste processo tanto quanto as fórmulas de sucesso já testadas.

O fracasso está associado a erros, claro. Mas há muitos sucessos repletos de “erros” também. A novela “Fina Estampa”, da Globo, é um exemplo. Desconfio, por isso, de quem afirma, categoricamente, que “o erro foi esse” ou “aquele”.

Record e RedeTV! estão às voltas, neste momento, com a tarefa de salvar os seus investimentos em “Máscaras” e no “SNL”. Flavio Ricco trata de ambos em sua coluna de hoje. Diz que a novela será encurtada e o humorístico vai apostar num humor mais popular.

As duas soluções vão descaracterizar as propostas originais. Pode ser que funcionem. Ou não.

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